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Ed. 47: Água na China

"Lutar por cada gota de água ou morrer"

Autor: Norman Gall | Publicado em 2012

Água na China

A crescente escassez de água na China pode afetar o seu crescimento e estabilidade. Está enfraquecendo seu impulso como uma potência global que assume um papel ativo na politica internacional pela primeira vez na sua história milenar como um Estado unificado. Esta escassez pode vir a ser muito mais importante para o futuro da China do que os escândalos e as lutas pelo poder dentro da liderança do Partido Comunista, que recentemente capturaram a atenção internacional. Nas palavras de de Wang Shucheng, ex-ministro dos recursos hídricos: "Lutar por cada gota de água ou morrer: esse é o desafio que a China enfrenta".

Essas apreensões ganham urgência. "As restrições de nossos recursos hídricos disponíveis tornam-se mais aparentes a cada dia", disse Hui Siyi, vice-ministro dos recursos hídricos, numa coletiva de imprensa no início deste ano. "A situação é extremamente séria em diversas áreas. Com o desenvolvimento veloz, o uso da água já ultrapassou o que os nossos recursos naturais podem suportar. Se não tomarmos medidas fortes e firmes, será difícil reverter a grave escassez, que diariamente agrava a situação da água”. De acordo com o Premier Wen Jiabao, a escassez de água ameaça a "sobrevivência da nação chinesa".

A China entrou em uma clara fase de transição: mudança na liderança política nesse ano, com o comando do Partido Comunista e do governo passando para uma geração mais nova; mudança de uma estrutura social rural para uma urbana; mudança de um crescimento econômico muito rápido para ritmos apropriados para uma sociedade urbanizada que está envelhecendo; mudança para acomodar as crescentes demandas por cidadania, um conceito alheio para a tradicional cultura chinesa. Ainda assim, extraordinárias profecias continuam a ser feitas em relação ao futuro da China. Em 2010, Robert Fogel, professor da Universidade de Chicago laureado com o Nobel de Economia, corajosamente previu: "Em 2040, a economia chinesa chegará a US$ 123 trilhões de dólares, ou quase três vezes a produção econômica do mundo inteiro em 2000", com 40% do PIB mundial e renda per capita de US$ 85.000. Nos próximos anos, no entanto, os instintos de criatividade, prudência e sobrevivência do povo chinês serão severamente testados. Este ensaio, baseado em seis semanas de pesquisa na China, abordará o alcance destes desafios.

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A próxima fase analisará o tema no Brasil e na América Latina, aprofundando sobre as políticas que precisam ser empreendidas para que a região possa aproveitar as oportunidades que sua generosa natureza tem oferecido em recursos hídricos.

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