Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

Think tank, and a do tank

Ed. 05: A fábula das abelhas

Vícios privados, benefícios públicos?

Autor: Eduardo Gianetti da Fonseca | Publicado em 1994

A fábula das abelhas

A ética lida com aquilo que pode ser diferente doque é. O terremoto que aniquila uma comunidade oua leucemia que destrói de um jovem provocam em nosum sentimento intimo de revolta, mas não se prestam àcondenação moral. São eventos naturais, determinadospor mecanismos causais inerentes ao mundo físico eque independem por completo da vontade e escolhahumanas. Podemos, é claro, evitar a construção decidades em áreas de risco e buscar a cura da leucemia;ou aceitar estoicamente os fatos; ou rezar. Mas seriaabsurdo supor que eventos como esses possam serdiferentes do que são. Completamente distinta é a nossareação diante do bombardeio aéreo de civis, do desviode verbas públicas ou de um atropelamento na portade uma escola. Ao sentimento de revolta junta-se aquia desaprovação moral — o juízo ético e a atribuição deresponsabilidade (dolosa ou culposa) aos causadores domal. Fazemos isso porque acreditamos estar diante deeventos que, de alguma forma, poderiam perfeitamentenão ter ocorrido. Em contraste com a ótica estritamentecientífica dos fenômenos, dentro da qual "apenas o queacontece é possível", o ponto de vista moral abre umabrecha para a possibilidade de que o mundo como ele eesteja aquém do mundo como ele pode e deve ser.

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