Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

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Leitura do terceiro capítulo do livro "Por que as nações fracassam"

24/03/2018

Iniciamos o encontro comentando as manifestações de estudantes nos Estados Unidos exigindo leis mais rigorosas sobre a venda de armas após o episódio da Flórida. Ao contrário do Brasil, onde as manifestações têm pouco poder para mudanças efetivas, nos Estados Unidos a juventude manifesta-se com profissionalismo e, pelo fato do país contar com canais de participação política, muitos desses jovens poderão, de fato, entrar na política e serem futuros governadores. Foi lembrado que no Brasil o movimento “Vem pra Rua” conseguiu engajar um número grande de pessoas que foram às ruas se manifestar; porém, os recentes acontecimentos são uma prova de que tais manifestações não surtiram efeitos reais. A impressão que se tem é que a briga pelo poder continua e ninguém liga para a população.

Capítulo 3 - A criação da prosperidade e da pobreza
Iniciamos a leitura do capítulo 3 do livro e nos detemos na parte em que os autores falam das instituições econômicas inclusivas, ou seja, instituições que garantam o direito à propriedade privada, um sistema jurídico imparcial e serviços públicos que garantam condições igualitárias às pessoas. Sobre esse ponto, duas observações: o direito à propriedade privada ainda é visto como um privilégio no Brasil e muitas pessoas sequer possuem a escritura de suas próprias casas. Além disso, é necessária a criação de políticas públicas específicas para determinados grupos. Lembrou-se da política empreendida pelo governo de São Paulo para diminuir o índice de violência nas últimas décadas, o que resultou em benefícios para pessoas tanto de bairros nobres quanto de bairros periféricos. Vale ressaltar, porém, que há setores nos quais os grupos possuem necessidades diferentes e precisam de políticas públicas diferenciadas para o alcance de maior justiça social.

Ao falar de instituições inclusivas, estamos falando de um Estado eficiente que trabalhe bem em prol de sua população. Os autores deixam claro que é muito difícil falar de meritocracia em países com instituições que não garantam o básico a seus cidadãos, como a Coreia do Norte. Embora este seja um exemplo extremo, vale lembrar que, no Brasil, os incentivos para o jovem de classe baixa se esforçar não são muitos, pois há todo um sistema injusto em torno desse jovem e nada garante que apenas seu esforço será o suficiente para ter sucesso.

A respeito das instituições políticas inclusivas, uma característica importante é a centralização do poder – um país onde diversos clãs disputam pelo poder mergulha em uma guerra civil, como a Somália. Outro ponto importante é o monopólio da violência pelo Estado, o que nos fez refletir sobre a situação do Rio de Janeiro. As recentes notícias mostram que, no Rio, o Estado não possui mais o monopólio da violência, pois os traficantes têm muito poder e instauram suas ordens em diversos locais do Estado.

As instituições políticas extrativistas perpetuam o poder concentrado nas mãos de uma elite. No Brasil, é inevitável pensar no exemplo do Maranhão, Estado no qual a família Sarney manda há décadas. Importante salientar que as instituições extrativistas não tiram absolutamente tudo de sua população; os países governados sob tais instituições extraem da população e devolvem alguma coisa no sentido de calar o povo, como a política do pão e do circo dos romanos.

Outro exemplo que vem à mente de país cuja mesma elite governa há muito tempo é a Arábia Saudita. Porém, ao contrário de países como a Coreia do Norte, a população da Arábia Saudita tem melhor qualidade de vida.

Capítulo 4 - Pequenas diferenças e conjunturas críticas: o peso da história
O capítulo usa a Inglaterra como exemplo de país que conseguiu criar suas instituições inclusivas, o que gerou riqueza e prosperidade para sua população. A Inglaterra nos faz pensar em como e por que a Europa se desenvolveu mais rápido do que o resto do mundo. É importante lembrar que a consolidação política na Europa se deu de maneira lenta, com muitas disputas internas e rivalidades. Isso gerou criatividade e o fomento ao capitalismo, a exemplo de Florença, que tinha grande atividade econômica graças à importação de lã e cujos prósperos banqueiros, no século XIV, bancaram guerras na Inglaterra.

Até o século XVIII, a China e o Japão, por exemplo, eram países muito mais estáveis, com maior renda per capita e mais avançados tecnicamente do que a maior parte dos países europeus. A circunstância crítica da revolução industrial alterou esse padrão e teve por consequência um grande salto econômico na Inglaterra e em grande parte da Europa.

Questionamos por que a revolução industrial aconteceu na Europa e, mais especificamente, na Inglaterra. Lembramos que a Inglaterra era o berço do conhecimento e dava muitos incentivos à pesquisa; a universidade de Oxford, por exemplo, patrocinava James Watt, o que possibilitou o aprimoramento do motor a vapor, elemento fundamental para a Revolução Industrial. Diante desse cenário, é de se lamentar a maneira como o Brasil trata a pesquisa; os constantes cortes em Educação e pesquisa mostram que ficaremos ainda mais atrasados em termos de inovação tecnológica.

Outros dados chamam a atenção. Além dos cortes em pesquisa, o Brasil investe apenas 1% do seu PIB em obras de infraestrutura, um número irrisório, principalmente quando comparado aos volumosos 40% da China e 15% do Peru e Chile. O valor pífio investido em infraestrutura remete aos anos 50, período no qual houve grande incentivo à construção de estradas por conta da instalação de automobilísticas no Brasil, desprezando-se a necessidade de desenvolve ruma malha ferroviária que atendesse as necessidades da população. Houve um grande acordo entre políticos e empresários que visavam o lucro, e não o desenvolvimento de infraestrutura.

O final do capítulo menciona a América do Sul, no qual os autores defendem que a prosperidade ou pobreza de certos países está diretamente relacionada ao processo de colonização. No entanto, é importante ter em mente que o Peru, por exemplo, já tinha povos andinos mais organizados do que em outros países antes da colonização. Atualmente, é o país com menor taxa de homicídio da América Latina e investe muito mais do que o Brasil.

Próximo encontro: 07/04/2018, às 17h
Capítulos que serão lidos e debatidos: Capítulo 5 e Capítulo 6
Local: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo – SP
Valor: gratuito

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