Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza

Primeiro encontro do Colóquio sobre as Instituições

10/03/2018

Iniciamos o encontro pedindo para que cada um dos presentes se apresentasse e dissesse o que esperava daqueles encontros. Dentre as motivações, algumas universitárias do curso de Engenharia do Mackenzie citaram que a faculdade enfatiza bastante o lado técnico do conhecimento e que sentiam falta de poder debater outros assuntos. Também foi citada a necessidade de sair da polaridade política atual e procurar espaços de diálogo, qualificando o debate. Para outros, a motivação de estar nos encontros diz respeito a uma renovação de esperanças diante da situação delicada pela qual passa o Brasil.

Com tantas notícias diárias sobre corrupção, surgiu o questionamento de por que, aparentemente, boa parte das pessoas que entram no sistema político acabam se envolvendo em esquemas de corrupção. Uma hipótese é a de que o sistema corrompe as pessoas e, mesmo aquelas mais honestas, acabam por serem seduzidas pela fome de ganância e poder. Porém, foi lembrado que nem todas as pessoas são corruptíveis e foi citado um exemplo recente de policiais em uma ação na Vila Mariana, região de São Paulo. Os policiais estavam fazendo uma apreensão e os criminosos ofereceram suborno aos policiais para que fossem liberados. Em uma demonstração de honestidade e comprometimento com o trabalho, os policiais recusaram o suborno e acrescentaram mais esse crime à lista de delitos cometidos pelos criminosos.

Capítulo 1 – Tão próximos, mas tão diferentes
Iniciando a leitura, o primeiro capítulo do livro começa apresentando as diferenças entre duas cidades com o mesmo nome, Nogales: uma fica em Arizona, nos Estados Unidos e, a outra, em Sonora, no México. Embora as cidades estejam muito próximas uma da outra, as diferenças no padrão de vida de seus habitantes são muito significativas. Enquanto o acesso a serviços públicos e a qualidade de vida fazem parte da rotina dos habitantes da Nogales americana, a corrupção e a incompetência dos políticos tem por consequência uma vida bem mais difícil para os habitantes da Nogales mexicana.

Posto que não há grandes diferenças climáticas em ambas as cidades e que seus cidadãos possuem ancestrais comuns e, a princípio, possuem uma mesma cultura, os autores voltam alguns séculos na história para tentar explicar o motivo de tantas discrepâncias.

Ao revisitar o processo de colonização dos Estados Unidos e do México, fica evidente que tal processo não se deu da mesma forma nos dois países – o que acarretou consequências que perduram até os dias atuais. Um dos fatores que determinou o modelo de colonização mexicana pelos espanhóis foi a descoberta de ouro e metais preciosos, o que impulsionou a vinda de milhares de colonos que criaram sistemas de trabalho forçado para as populações nativas. Explorar a população e os recursos naturais fazia parte da estratégia de colonização, de forma que não foram criados os incentivos necessários para que tanto a população nativa quanto os colonos trabalhassem a terra e gerassem riqueza; afinal, toda a riqueza iria diretamente para as mãos da coroa espanhola, de forma que não valia à pena dedicar esforços e energia em algo que não lhes traria retorno.

Nos Estados Unidos, o processo de colonização foi muito diferente. As colônias ricas de metais preciosos já haviam sido colonizadas pelos espanhóis e portugueses, de forma que, aos ingleses, não sobrou muita coisa. Embora houvesse por parte dos colonos o desejo de seguir o modelo mexicano de exploração, logo ficou claro que aquela terra não possuía ouro nem metais preciosos. Além disso, um dos líderes locais mostrou-se mais resistente e desconfiado em relação aos ingleses recém-chegados, não lhes dando muitas oportunidades de ser capturado e destituído de seu poder.

Sendo assim, aos poucos, os colonos que sobreviveram ao frio e à fome passaram a exigir certos direitos pois, caso contrário, não permaneceriam no país. Em um longo processo, esses colonos adquiriram direitos políticos e de propriedade, o que os incentivou a trabalhar a terra, posto que a riqueza gerada não atravessaria o oceano e lhes daria oportunidades de prosperidade.

Embora os autores afirmem que este processo deu início à construção da democracia americana como conhecemos hoje, foram feitas algumas ressalvas no grupo, pois os Estados Unidos ainda passariam por muitos percalços antes de consolidar seu regime democrático.

A história do Brasil aproxima-se mais do modelo de colonização mexicano; mesmo que, a princípio, não se tenha encontrado ouro e outros metais preciosos (o ciclo do ouro só deu início no século XVIII), havia outros recursos naturais de grande valor a serem explorados pelos portugueses, como o pau-brasil. Assim como no México, a maior parte da riqueza gerada em terras brasileiras era voltada à coroa portuguesa, de forma que não se criou incentivos para o desenvolvimento local. Mesmo quando parte do processo de colonização passou das mãos dos portugueses para os holandeses, principalmente na região do Nordeste, não houve mudanças significativas que engendrassem um processo rumo ao desenvolvimento político e econômico e o modelo de exploração continuou sendo basicamente o mesmo.

Próximo encontro: 24/03/2018, às 17h
Capítulos que serão lidos e debatidos: Capítulo 3 – A criação da prosperidade e da pobreza e Capítulo 4 – Pequenas diferenças e conjunturas críticas: o peso da história.
Local: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo – SP
Valor: gratuito

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