Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza

Resumo do Capítulo 15

19/05/2018

Capítulo 15 – Compreendendo a prosperidade e a pobreza
A teoria que permeia todo o livro é que o sucesso ou fracasso dos países é explicado, em grande parte, por conta de suas instituições políticas e econômicas inclusivas ou extrativistas. Diante disso, questionamos se o Brasil seria um país cujas instituições são extrativistas. Esta é uma possibilidade, posto que o livro deixa claro que países pretensamente democráticos não são, necessariamente, países inclusivos. Porém, vale ressaltar que falta muito contexto histórico na obra, o que dificulta afirmar categoricamente qual seria a posição do nosso país nessa teoria.

Embora os autores do livro sejam figuras importantes em Harvard e MIT, aparentemente o livro não passou por um crivo acadêmico. A teoria das instituições inclusivas e extrativistas é rasa e generalista; uma sugestão seria dividir os países entre os que desenvolveram conhecimentos mais intensivos e aqueles cujos conhecimentos permaneceram rasos.

O capítulo questiona por que países como México, China e Peru não foram os colonizadores e não entraram na corrida imperialista. Para responder a essa pergunta, precisamos levar em consideração que esses países foram fronteiras do conhecimento humano em muitos aspectos, com a invenção de muitas tecnologias. Eles não se tornaram países desenvolvidos aos moldes dos Estados Unidos e Europa por diversas razões. O México, por exemplo, passou por um período de colonização e guerra civil que destruiu o país; além disso, após o período de colonização, os habitantes não organizaram suas instituições políticas, o que contribui ainda hoje para as dificuldades econômicas do país. No caso do Peru, outros fatores contribuíram para que, apesar dos avanços da sociedade inca, o país não tenha dominado outras regiões. Dentre eles, destacamos: (1) o fato de não ter tido uma língua escrita dificultou a acumulação de conhecimento. (2) não havia rivalidade e disputa, aspectos fundamentais na Europa para que os países exercessem a criatividade. (3) não havia abertura ao comércio com outros países e a sociedade não estava voltada à conquista e colonização de outras terras (4) a população do país era pequena e geograficamente isolada de grande parte do mundo.

É importante mencionar que os autores classificam os países como inclusivos ou extrativistas levando em consideração a relação entre governo e população local. Porém, mesmo os países considerados inclusivos pelos autores (Estados Unidos e grande parte dos países europeus, por exemplo), extraem os recursos de outros países e territórios. Assim, eles também deveriam ser considerados países extrativistas, pois garantem qualidade de vida para sua população às custas da exploração de outros lugares no mundo.

Os autores dedicam uma parte do capítulo para falar sobre a China, afirmando que, a exemplo do que aconteceu com a URSS, o país não vivenciará um crescimento sustentável a longo prazo, pois não há destruição criativa nem inovação tecnológica significativa. Para compreendermos a China do século XXI, é preciso voltarmos no tempo e termos outras informações a respeito da construção da sociedade chinesa.

A começar pelo fato de que a China sempre foi um país de altos e baixos, com muitas guerras e invasões. Ainda assim, foi um país capaz de manter sua integridade. Embora durante muitos séculos a China tenha sido mais rica do que a Europa, as invenções não eram comercializadas. Por sua vocação de autossuficiência, ficavam restritas ao território chinês. Isso explicaria, em parte, porque o país não se tornou uma grande potência.

Os exemplos utilizados pelos autores em relação à China e como seu grande aparelho estatal impede que empreendedores individuais não ligados à política tenham sucesso no país são triviais e mascaram problemas de maior grandeza. Um desses problemas – talvez o maior de todos – seja a questão da água, o que explicaria em grande medida os momentos oscilantes entre estabilidade e incerteza na China. Este é um problema milenar, que envolve gigantes obras hidrelétricas e controle de inundações. Nesse ponto, é impossível não lembrar da Hidrelétrica das Três Gargantas, feita sem planejamento ambiental e que gerou danos irreversíveis à população e ao bioma da região. O problema da água na China fez com que o país não se aventurasse em conquistar terras em outros continentes, pois havia questões de maior importância a serem resolvidas no país. Para mais detalhes sobre o problema da água na China, clique aqui para ter acesso à edição do Braudel Papers dedicada a esse tema.

Apesar do problema da água, os chineses souberam se reinventar e priorizar investimentos, transformando o país no fenômeno que o mundo assiste hoje. Os números são impressionantes: cerca de 40% do PIB chinês é investido em obras públicas de infraestrutura. Os aeroportos, estações de metrô e ferrovias são maiores e com estrutura muito superior ao que se vê nos Estados Unidos, por exemplo. A transposição de águas do Sul para o Norte seco do país utiliza por base um canal construído há mais de 1000 anos, mostrando a admirável capacidade dos chineses em levantar grandes obras que sobrevivem ao tempo.

No entanto, ao lado de tantos avanços, dois aspectos chamam a atenção: os problemas ecológicos da China são muito graves. É impossível sustentar uma população de 1.3 bilhão de pessoas com padrões ocidentais utilizando unicamente os recursos que o próprio país é capaz de produzir.

A respeito da política chinesa, mencionamos que, ao contrário do que aconteceu nos EUA nas últimas eleições, nas quais um líder que surge do nada pode se tornar o presidente de uma nação, isso não acontece na China. Os líderes políticos chineses são preparados ao longo de décadas. O próprio Xi Jinping, atual presidente, é filho de um membro do alto escalão do Partido Comunista. Se preparou para assumir o cargo por muito tempo. Ele e sua família sofreram muito na última fase do regime de Mao Tsé-Tung. Em todo o país, há escolas que selecionam e preparam líderes de todas as classes sociais; indivíduos que se destacam por seus talentos e que são aproveitados pelo governo chinês como futuras lideranças do Partido Comunista.

Hoje em dia fala-se em uma “diáspora chinesa”, em alusão ao fato de milhões de chineses estarem povoando outras partes do globo, criando suas próprias Chinatowns em diversos países. Um aspecto interessante dessa diáspora é que os chineses que migram para outros países constroem economias paralelas onde se estabelecem, muitas vezes gerando riquezas que são direcionadas aos seus lugares de onde vieram.

O crescimento chinês ocorre sob a negligência de graves problemas ambientais e péssimas condições de trabalho para grande parte da população. Um exemplo citado foi o da Foxconn, empresa com sede em Taiwan e fabricante dos produtos da Apple. A empresa é famosa pelos escândalos de maus tratos, jornadas exaustivas de trabalho e casos de suicídio entre os funcionários. Ainda assim, anualmente, milhares de jovens chineses oriundos do campo fazem filas quilométricas na esperança de conseguirem uma vaga na empresa, pois veem essa oportunidade como uma porta para conseguirem empregos melhores no futuro em outras empresas.

Por fim, encerramos com a leitura sobre o Brasil, que aparece quase no final do capítulo. Os autores celebram as importantes conquistas do país no campo social das últimas décadas, muitas delas engendradas durante os mandatos do ex-presidente Lula. Os autores veem o futuro do país com otimismo, afirmando que grande parte das mudanças pelas quais o país passou foi graças à mobilização e trabalho da grande massa, e não do intelecto de grandes economistas.

Este foi o último encontro para leitura e discussão do livro “Por que nas nações fracassam”. O próximo ciclo de colóquios será iniciado em agosto, com a leitura do clássico da economia “A riqueza das nações”, de Adam Smith. Nesse meio tempo, vamos propor alguns encontros avulsos para leituras mais breves e discussão dos temas da atualidade do Brasil.

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