Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza

Resumo do Capítulo 11

05/05/2018

Começamos o encontro comentando o discurso de Donald Trump na National Rifle Association, no qual se observa sua habilidade em prender a atenção de uma plateia. Muito tem se falado sobre o governo de Trump e seus problemas, mas a questão é: onde está a oposição de Trump? Porque a oposição não se organiza para fazer frente ao presidente dos Estados Unidos?

Uma possibilidade levantada é que, a exemplo de países extrativistas, Trump consegue dividir a população que perde tempo e energia digladiando entre si, enquanto uma parcela do país continua sendo beneficiada.

O mundo assiste à falta de um grande líder americano, a exemplo de Roosevelt, que em uma época de crise representou uma esperança para o povo. Por outro lado, líderes negativos como Hitler triunfaram na indignação e no espetáculo popular.

Ainda que seja governado por um homem impulsivo, os Estados Unidos possuem instituições sólidas, que protegem o país de homens como Trump que, com muito poder e sem restrições, poderiam causar grandes estragos.

No Brasil, há a preocupação de que alguém com o perfil de Trump ou antidemocrático vença as eleições. Em um caso assim, as instituições brasileiras seriam fortes o suficiente para garantir a democracia? Algumas instituições no país são bem fortes, como a mídia e os partidos, o que não significa que são garantidores do regime democrático.

Sobre o Brasil, questionamos onde estão as novas vozes e os novos líderes. Foi comentado que alguns nomes estão aparecendo como possíveis lideranças (Álvaro Dias, do Podemos; José Amoedo, do Partido Novo; Aldo Rabelo, do Solidariedade) mas que não estão nas mídias. Por que ninguém apoia esses nomes? Joaquim Barbosa seria uma opção? Mesmo com esses nomes, não há lideranças surgindo da população, das classes mais baixas. A falta de opção pode levar Bolsonaro à presidência.

Outro ponto levantado foi a falta de educação política no Brasil que, aliada à mídia que escolhe dar visibilidade para alguns presidenciáveis e outros não, desenha um cenário preocupante para as eleições de 2018.

Foi citado, também, que todas as classes brasileiras, de alguma forma, foram compradas para que ficassem quietas, permitindo os roubos da classe política. Por outro lado, é importante lembrar que grande parte da população não está satisfeita com a situação atual e que a população pobre não recebe mais as supostas benesses para ficar quieta.

A situação é crítica e ninguém fala de mudanças políticas reais, pois o status quo beneficia um grupo específico de pessoas que querem se manter no poder. Os partidos não possuem propostas sólidas; a cúpula dos partidos centraliza e monopoliza o poder e a maior parte deles não possuem uma base honesta.

Fica evidente que uma democracia fragilizada como a brasileira precisa de mudanças profundas e que ações paliativas e pontuais não mudarão a situação. Por isso, no debate sobre reforma político, é preciso ir além de questões como voto distrital.

Capítulo 11 – O círculo virtuoso
Lemos um trecho do capítulo que ilustra com o exemplo da Inglaterra o ciclo virtuoso dos países cujas instituições são consideradas inclusivas. Este processo teve como evento decisivo a Revolução Gloriosa, com figuras como John Milton. Antes da revolução, a Inglaterra estava mergulhada em uma crise institucional e de legitimidade política; o país estava financeiramente quebrado, com muitas guerras. A Revolução Gloriosa trouxe instituições estáveis, colocou limitações na monarquia e permitiu uma melhor distribuição de poder, o que foi fundamental para a prosperidade econômica do país. Ainda assim, vale mencionar que a Revolução Gloriosa colocou no poder Oliver Cromwell, que logo se revelou um ditador. O mesmo aconteceu com Juscelino Kubistchek que, embora tenha sido brilhante e um homem dedicado, foi seduzido pelo poder ao tentar se aliar aos militares para voltar ao poder.

A teoria dos autores de "Por que as nações fracassam" defende que, uma vez que o país tenha começado a constituir instituições inclusivas políticas, o mesmo acontecerá com as instituições econômicas, gerando um processo de feedback positivo que vai ficando cada vez mais forte. Assim, fica cada vez mais difícil o país voltar a seu passado absolutista e extrativista.

Questionamos, então, por que o fim da ditadura e a Constituição de 88 não deu início a um processo de feedback positivo no Brasil. Sobre esse ponto, vale destacar que nossa constituição ainda é muito nova (30 anos) e que o processo de consolidação da democracia ainda está caminhando. Além disso, embora uma nova constituição tenha sido feita, as mesmas famílias da época da ditadura continuam no poder, como a Sarney, o que, na prática, não significa mudanças grandiosas para o país.

Constatamos que as instituições inclusivas são resultados do pluralismo e divisão de poder, o que ainda está em fase de construção no Brasil. Além disso, nenhum caso de instituições inclusivas ilustrado no livro mostra países onde o povo tenha chegado ao poder. Trata-se, sobretudo, de uma troca de uma elite mais “fechada” por outra mais “aberta”, ou de uma monarquia por um parlamento com membros da elite.

Ao fim do encontro, distribuímos aos participantes cópias do artigo traduzido de Norman Gall sobre Schumpeter, próximo autor a ser trabalhado no segundo ciclo de colóquios de 2018.

Para o próximo encontro do dia 19 de maio, leremos e debateremos o capítulo 15 do livro, encerrando esse primeiro ciclo do colóquio.
Local: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo – SP
Valor: gratuito

Endereço e
contatos:

Rua Ceará, 2
CEP 01243-010
São Paulo - SP - Brasil

Tel. (11) 3824-9633