Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

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Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza

Resumo dos Capítulos 5 e 6

04/04/2018

Capítulo 5 - Eu vi o futuro e ele funciona
O início do capítulo nos traz um breve panorama da União Soviética, especialmente nos anos em que, mesmo governada sob instituições extrativistas, o bloco alcançou significativo crescimento econômico. É interessante recuperar alguns eventos históricos da Rússia dessa época a fim de compará-los ao contexto brasileiro.

Antes de 1917, a Rússia já vivia um forte processo de industrialização, multiplicando o número de escolas e alfabetizando seus camponeses. A participação da Rússia na 1ª Guerra Mundial foi desastrosa e a revolução bolchevique já estava em curso há alguns anos, culminando na ascensão de revolucionários profissionais ao poder, cuja figura mais notória era Lenin. Com a morte do líder em 1923, Trotsky, o mais brilhante dos líderes revolucionários e grande orador, foi exilado e Stálin subiu ao poder. Embora não fosse tão brilhante quanto seu rival e desprezado pelos outros grandes líderes da revolução, Stálin conseguiu maior aproximação do povo nas classes mais baixas, o que foi decisivo para sua conquista de poder. Em 1936, Stalin começa o julgamento de seus rivais no partido, resultando no exílio e morte de muitos revolucionários. Ele faz um pacto de não-agressão com Hitler – que seria quebrado pouco depois. No ano de sua morte, em 1953, Stalin ainda dominava completamente o país.

Hoje, a Rússia é um país petroleiro, de grande intelectualidade e com altas taxas de mortalidade, principalmente entre homens, por conta do alcoolismo. Eles possuem ferrovias muito mais amplas e avançadas que as do Brasil. Mesmo com qualidades notórias, não se vê brasileiros migrando para a Rússia, mas, sim, russos decidindo morar no Brasil.

Os autores alertam que o crescimento sobre instituições extrativistas, como no caso russo, não é sustentável a longo prazo, pois não envolve destruição criativa e tecnologia. O que determina se as instituições de um país são extrativistas ou inclusivas é o quanto o governo se afasta ou se aproxima do povo.

A revolução russa significou uma circunstância crítica para a Rússia e, dado seu histórico de instituições extrativistas, este evento teve por consequência o fortalecimento e recrudescimento dessas instituições. Pensamos que o Brasil vive, também, uma circunstância crítica, um divisor de águas; porém, ainda é difícil prever qual será o futuro de nossas instituições após esse momento.

Há, claramente, um descolamento da vontade entre povo e governo. Diante de tantos problemas, por que o povo não reage? Algumas possibilidades levantadas foi a falta de informação ou a ilusão de parte da população que se acha empoderada e participativa quando, na verdade, está sendo enganada e manipulada. Na verdade, a questão não é apenas povo versus governo, como colocam os autores do livro em diversos momentos de forma maniqueísta, mas, sim, que há uma cisão no povo e no governo, o que deixa a situação ainda mais complexa.

Apesar de nossos desafios, é importante ressaltar que o tipo de discussão que temos nos nossos encontros do colóquio não seria possível na Rússia. Ainda hoje, a polícia secreta russa governa o país sob outro nome e com outros atores, com forte repressão ao povo e à imprensa, o que coloca o país no rol das instituições extrativistas.

Embora os autores denominem como extrativistas as instituições que tiram do povo para manter a mesma elite no poder, há de se lembrar que todos os países, mesmo os de instituições inclusivas, extraem alguma coisa do povo, principalmente através da arrecadação de impostos. Se o país extrai de seu povo e devolve serviços de qualidade, como no caso dos países desenvolvidos, isso não é um problema. A questão é que o Brasil, por exemplo, extrai de sua população por meio de altíssimos imporstos para manter privilégios em seu governo e judiciário, enquanto devolve apenas 1% para investimento em infraestrutura pública.

Mais à frente do capítulo, nos deparamos com a estrutura social dos maias antes da colonização espanhola, que já contava com instituições extrativistas. Os espanhóis se aliaram aos maias em um primeiro momento como estratégia de dominação, aniquilando-os anos depois.

O Peru tem um contexto diferente e seus aspectos pré-colombianos contribuem para a estabilidade do país. Os povos nativos foram cooptados pelos espanhóis para a construção de estradas, e não para obras suntuosas como no caso mexicano. Atualmente, o Peru possui mais estabilidade social e baixos índices de inflação e violência quando comparados ao México. É possível que os aspectos pré-colonização desses países, quando somados à dominação espanhola, expliquem, em parte, a atual situação econômica e social deles.

Capítulo 6 – Diferenciação
Este capítulo inicia com um panorama de Veneza, uma grande potência comercial que se tornou, nas palavras dos autores, um verdadeiro museu para turistas. Antes de seu declínio, Veneza contou com 700 anos de estabilidade política e empreendeu grandes inovações jurídicas, contábeis, artísticas e institucionais. Podemos ter uma amostra dessa grandeza na obra de Shakespeare, “Otelo”, que mostra Veneza em seu auge.

Os autores defendem que o declínio de Veneza se deu a partir do momento em que a elite, acuada com a entrada de jovens comerciantes em grande número, decidiu realizar as serratas política e comercial, fechando o parlamento e as empreitadas ultramarinas para novos membros que representassem uma ameaça a seu poder. Porém, vale lembrar que Veneza, nessa época, recebia um grande fluxo de imigrantes em busca de oportunidades de enriquecimento, e o fechamento aconteceu para que não se perdesse o controle e o comércio virasse o caos. Outro ponto importante foi o surgimento da Holanda como centro da economia europeia, colocando Veneza para escanteio na competição.

A Holanda ainda hoje é uma potência mundial e chama a atenção pela sua comercialização e legalização de algumas drogas. No entanto, a droga que traz lucro para o país, principalmente pelo consumo de turistas, é produzida em países como Paquistão e Israel e os lucros ficam concentrados no país consumidor. Isso nos faz pensar até que ponto a Holanda seria um modelo de desenvolvimento para outros países.

Veneza ilustra como barreiras econômicas e políticas podem criar um círculo vicioso, interrompendo um processo de acelerado crescimento. Para sair desse círculo, é necessária uma quebra da hegemonia das elites econômicas e políticas. É importante fazer uma ressalva de que Veneza já estava em crise muitos anos antes de seu declínio e que os autores não mencionam que a situação já não estava bem antes das decisões da elite do país.

Por fim, o final do capítulo menciona a escravidão que, de um lado, beneficiou países como Portugal e Inglaterra, mas, por outro, deixou países africanos inteiros devastados. Questionamos como teria sido o desenvolvimento econômico mundial sem o tráfico negreiro e lembramos que ele foi uma opção pelo fato dos colonizadores não estrem dispostos a fazer trabalho braçal e não terem conseguido escravizar os índios, no caso brasileiro.

O fato é que havia, sim, alternativas à escravidão. Prova disso é que, após a abolição, o governo brasileiro optou por abrir suas portas a brancos de outros países ao invés de qualificar e contratar a mão de obra de pessoas negras livres, em um processo de embranquecimento da população. Porém, mesmo sem a escravidão, dado nosso histórico de conflitos, é provável que outros processos conflituosos tivessem se desenvolvido.

O próximo encontro será no dia 07 de abril, às 17h. Leremos e debateremos os capítulos 7 e 9 do livro.
Local: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo – SP
Valor: gratuito

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