Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

A Riqueza das Nações – Adam Smith

No dia 24 de novembro de 2018, o Instituto Braudel promoveu mais um encontro para leitura e discussão do livro “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith.

24/11/2018

Adam Smith e o mundo
Esse capítulo é dedicado a explorar a questão da colonização, estabelecendo algumas comparações entre a colonização portuguesa, espanhola, holandesa, grega e romana.

Chama a atenção o fato de Adam Smith, que morava em Glasgow, na Escócia, em uma casa no campo com sua mãe, fosse capaz de escrever com tanta propriedade sobre países de todo o mundo.

Porém, é importante frisar que, mesmo morando em uma pequena cidade e não sendo um grande viajante, Smith nasceu e viveu em um local privilegiado, um ponto de comércio essencial entre os Estados Unidos e países europeu, com intensa atividade intelectual com Smith como um dos representantes do Iluminismo escocês do século XVIII. Paralelamente, Glasgow era o grande centro da ortodoxia calvinista, o que concorria com o iluminismo de Smith e seus colegas. Hoje Glasgow é um dos principais pontos de exploração de petróleo do Mar Norte.

Colonização espanhola
No início do capítulo, Smith expõe de maneira sucinta o início do processo de colonização da Espanha em países da América Central. Ao chegar em Santo Domingo, na República Dominicana, Colombo constatou a presença de metais preciosos, e volta para a Espanha exibindo um verdadeiro desfile para a corte, com a presença de nativos daquela terra. Smith deixa claro que os metais preciosos, principalmente o ouro, foram a verdadeira motivação para que a coroa espanhola estimulasse e investisse na colonização dessas terras, usando a conversão religiosa dos nativos apenas como uma mera desculpa.

Nesse ponto, já é possível verificar uma diferença crucial entre a colonização espanhola e a romana: enquanto a Espanha teve por motivação a busca por ouro para explorar outras terras, Roma tinha por justificativa a busca por terras, posto que as terras de seu império eram reservadas à nobreza e aos grandes proprietários. Assim, aqueles originários das classes mais baixas precisavam explorar outros territórios para terem suas próprias terras.

A busca por terras, não apenas para ocupação, mas para a produção de alimentos, já serviu e ainda serve como motivação para a ocupação e exploração de novos territórios. Um exemplo disso é o centro-oeste do Brasil, que contou com grandes fluxos de pessoas vindas do Sul para trabalhar nas terras aráveis e produzir alimentos não só para o Brasil, mas, também, para outros países do mundo. A China também vem empreendendo explorações de terras aráveis na África, com o objetivo de produzir alimentos diversificados para sua população.

Colonização espanhola X Colonização portuguesa
Embora Portugal e Espanha tenham explorado terras na América, seus modelos de colonização possuem divergências que valem a pena serem destacadas. Os países colonizados pela Espanha possuíam populações pré-colombianas muito maiores, com civilizações próprias, o que muito difere do Brasil que, colonizado por Portugal, tinha antes da chegada do país europeu milhares de grupos indígenas dispersos por todo o território. Outra diferença significativa é que a coroa espanhola mandava pessoas para, de fato, governarem as colônias, enquanto Portugal não tinha gente disponível para mandar à colônia, posto que seu empenho estava concentrado no comércio com o Oriente.

A comunicação entre a coroa portuguesa e aqueles que estavam na colônia era difícil, o que aumentava ainda mais a distância entre a coroa e a colônia. Assim, com um vácuo de poder, os grandes proprietários de terras eram os que, de fato, determinavam as leis, estendendo seu poderio para muito além da administração de suas terras.

De forma geral, a colonização espanhola era muito mais organizada e centralizada, com portos únicos e rígido controle por parte da metrópole. Portugal negligenciou sua mais nova colônia durante muitos anos, pois seu comércio de especiarias com o Oriente era muito lucrativo. Essa situação só mudou após a descoberta do ouro, quando a coroa portuguesa decidiu tomar a direção de sua colônia com mais atenção.

Colonização holandesa
Outro país que desempenhou papel fundamental nas grandes navegações e no processo de colonização é a Holanda. Rival de Portugal no comércio asiático, conseguiu ainda assim fazer de suas colônias territórios altamente rentáveis, o que trouxe inúmeros benefícios e riquezas para sua população. Conhecido pelo alto nível de organização e pela voracidade de suas ações, o país com maior frota marítima do mundo teve atuação muito destacada nesse processo.

A colonização holandesa também chegou ao Brasil, com a ocupação de Pernambuco. Sua presença no território em muito se destoou da presença dos portugueses. O objetivo dos holandeses em Pernambuco era tonar a terra o mais rentável possível e, para isso, empreenderam diversas ações.

Diferentemente de Portugal, os holandeses enviaram Maurício de Nassau, um membro da nobreza, para tomar conta do território, o que teve por consequência a vinda de artistas e a criação de muitas obras. A visão dos holandeses em termos de ocupação era mais sofisticada, e não se limitava exclusivamente ao comércio nos portos. Após a expulsão de Nassau, Portugal decide destruir as obras realizadas pelos holandeses.

Embora ainda hoje permaneça no imaginário brasileiro a ideia de que se o Brasil inteiro tivesse sido colonizado pela Holanda estaríamos em uma situação diferente, é importante destacar que, ainda que o processo de colonização holandês tenha suas particularidades, o objetivo principal era extrair da terra o máximo possível visando benefícios e o bem-estar da população holandesa, e não das pessoas que estavam no Brasil.

Colonização nas Américas x Colonização na Ásia
Até o final do século XVIII, era tarefa difícil conquistar territórios asiáticos. Isso se deve, em parte, ao fato da população asiática não ser tão dispersa, ser muito densa e conseguir se defender e resistir às invasões estrangeiras. Este é um panorama muito diferente daquele encontrado pelos espanhóis nas Américas. A chegada dos espanhóis coincidiu com a decadência dos impérios inca e asteca; além disso, ambos os povos eram muito isolados e não tinham acesso a outras grandes civilizações, o que facilitou a empreitada espanhola. A Ásia, por outro lado, era muito mais transitável por diversos povos e tinha uma dinâmica própria.

A exploração dos países asiáticos era difícil e os países europeus tiveram que criar estratégias para dominar essa parte do mundo. Os ingleses, por exemplo, foram pela via do comércio do ópio com a China, a porta de entrada para que estabelecessem relações comerciais com o país. Por outro lado, o Japão sempre manteve controle muito rígido de comércio exterior e restringia os contatos com o exterior à cidade de Nagasaki, onde a Holanda conseguiu estabelecer importantes relações comerciais.

Por fim, é preciso destacar que o fator decisivo para a dizimação dos índios nas Américas foram as doenças trazidas pelos europeus, para as quais os nativos não tinham imunidade – fato que não ocorreu com as populações asiáticas.

Colonização grega e romana
Smith apresenta algumas características da colonização grega e romana, o que nos permite fazer comparativos com outros processos de colonização mais modernos. A colonização grega, que tinha por característica colônias com autonomia, o que gerava riquezas e novas lideranças, era nesse sentido muito parecida com o estilo de colonização americana na Ásia e na África.

Quanto às colônias romanas, Smith diz que: “Estavam todas estabelecidas em províncias conquistadas, que na maioria dos casos tinham sido totalmente habitadas antes. A quantidade de terra designada a cada colono raramente era muito considerável e, como a colônia não era independente, nem sempre estavam livres para dirigir seus negócios como julgassem mais adequado a seu interesse”. Por essa descrição, fica claro que o padrão romano de colonização se aproximava do padrão português, cujas colônias não tinham autonomia para se desenvolverem.

Avisos sobre o próximo encontro:
Data: 08 de dezembro de 2018
Horário: 17h
Leitura e reflexão sobre o capítulo 3 do livro 5 de “A riqueza das nações”. Edição Nova Fronteira: Coleção Clássicos de Ouro.
Endereço: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo - SP

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