Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial - Associado à FAAP

A Riqueza das Nações – Adam Smith

No dia 20 de outubro de 2018, o Instituto Braudel promoveu o sexto encontro para leitura e discussão do livro “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, capítulo 1 do livro 2 e capítulo 1 do livro 3.

20/10/2018

No dia 20 de outubro de 2018, o Instituto Braudel promoveu o sexto encontro para leitura e discussão do livro “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, capítulo 1 do livro 2 e capítulo 1 do livro 3.

A renda da terra e a produtividade
No primeiro capítulo do Livro II, Adam Smith disserta sobre a acumulação do capital e sobre o que ele define como trabalho produtivo e improdutivo.

Smith aborda estas questões sob o prisma de sua época, com uma visão material e tangível sobre a geração de valor, com foco na produção de bens. Ele entendia os serviços como improdutivos, em contraste com a produção da manufatura. Até os serviços médicos e de saúde, que rapidamente poderiam ser vistos como recuperação da capacidade produtiva e de trabalho, são mencionados como “improdutivos”.

Além disso, vários serviços modernos, que até parecem supérfluos, podem estimular a demanda por bens duráveis ou não duráveis, como cabeleireiros, que promovem a demanda por equipamentos e produtos cosméticos. Talvez um paralelo moderno dos trabalhos improdutivos ora mencionados seja o tempo gasto para calcular e pagar impostos.

De todo modo, por mais que algumas visões de Smith sobre a economia pareçam defasadas nos dias atuais, ele nos deixa um grande legado da organização dos grandes temas e do pensamento econômico, trazendo uma abordagem científica desta disciplina. O entendimento do comércio como fator impulsionador da geração de riqueza também é uma contribuição muito valiosa do pai da economia. Ele postulava que a cidade ganhava com produtos e demandas do campo e o campo ganhava com o acesso ao mercado e aos bens da cidade.

Neste capítulo, também foi abordado ócio como produto do encorajamento insuficiente à indústria. Esta afirmação parece estruturar os alicerces da necessidade de poupança e investimento para promover o crescimento econômico de uma nação.

Outro ponto que fazia sentido à época, mas que parece desatualizado hoje, é a visão de que a preferência dos empreendedores seria por investimento no campo, na manufatura e no comércio exterior, nesta ordem, especialmente pelo risco dos investimentos. Isto é coerente com uma época em que sistemas financeiros, de crédito, seguros e cobrança não dispunham de mecanismos como os que temos atualmente. Todavia, no fim do capítulo ele abre uma concessão para o que seria um desenvolvimento “antinatural”, seguindo a ordem contrária: comércio, manufatura, agricultura. Smith defendia que o crescimento das cidades estava atrelado ao crescimento do campo. Afirmava que: “A riqueza progressiva e o crescimento das cidades seriam, em qualquer sociedade política, consequentes e proporcionais ao aperfeiçoamento e cultivo do campo.” Hoje podemos expandir este debate para os recursos naturais e a sustentabilidade ambiental, já que o crescimento da produção rural e agrícola, dependendo de como seja feito, pode gerar perdas de potencial biotecnológico, de poder geopolítico e de posição de barganha no comércio internacional.

Avisos sobre o próximo encontro:
Data: 10 de novembro de 2018
Horário: 17h
Leitura e reflexão sobre o capítulo 2 do livro 3 e o capítulo 7 do livro 4 de “A riqueza das nações”. Edição Nova Fronteira: Coleção Clássicos de Ouro.
Endereço: Rua Tinhorão, nº 60 – Higienópolis – São Paulo - SP

Endereço e
contatos:

Rua Ceará, 2
CEP 01243-010
São Paulo - SP - Brasil

Tel. (11) 3824-9633